Emiliano Dantas
Emiliano entra nas imagens que faz. Pinta cada uma delas. Sobressaem cores e tons. Radicaliza-se os contrastes. O que é preto se fecha como bloco duro e impenetrável. O azul é azul de um exagero, assim como o vermelho.
Vivemos hoje o dilema sobre a fotografia ser um meio veloz. Se faz muito rápido e chega às pessoas no passo de um esgotamento, na pressa de se contar algo perde-se o fôlego. Barthes nos falava que as fotografias precisam de tempo sobre elas. Do passar dos dias. Na demora, nosso olhar se qualifica e o simples observar se enriquece na forma de um sentimento. E Emiliano se atém às imagens. O testemunho documental é sobreposto com o tempo gasto pelos os tons que transbordam delas.



















Sobre a artista
Emiliano Dantas é doutor e mestre em Antropologia, e tem bacharelado em Fotografia. Como pesquisador desenvolve processos que unem teoria e metodologia na construção de conhecimento com/por imagens. Suas fotografias surgem de atividades compartilhadas e colaborativas, bem como do cruzamento de múltiplas grafias, tais como o desenho e a costura. Vem atuando no contexto de roças de cacau e café, em São Tomé e Príncipe e na Bahia (BR). Teve exposições individuais em Museus de Portugal, São Tomé, Cuba e Brasil. Seu último fotolivro, Desenquadrando | Retratos Santomenses, ganhou a Bolsa Gulbenkian de Circulação Internacional e foi exposto na Bienal de São Tomé e Príncipe, além de receber o prémio Margot Dias e Benjamim Pereira na categoria audiovisual (Associação Portuguesa de Antropologia APA 2021/2022).